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O que conhecemos por Halloween hoje, comemoração muito difundida pelo mundo afora, é a comemoração do Sabá de Samhain (Fala-se sau-en, da roda do ano do Hemisfério Norte - no sul seria entre 30 de abril e 1º de Maio). A palavra Samhain significa "fim do verão", e isso é explicado pelos celtas terem uma antiga divisão dual do ano, onde o verão ia de Beltain até Samhain e o inverno de Samhain à Beltain. O Samhain é uma comemoração do fim da colheita e início do inverno, época muito importante para os celtas, uma vez que a chegada do inverno provocava uma mudança bem grande em sua rotina cotidiana. Além disso, o Samhain para eles era o ano novo, e o momento mais mágico do ano: o momento em que o véu entre os mundos era o mais tênue possível, podendo aí os vivos se comunicarem com os mortos.
Os celtas acreditavam muitas vezes que os mortos moravam com o Povo das Fadas, e estas enganavam os seres humanos nesta noite, para que ficassem perdidos entre elas, estas sendo portanto consideradas hostis e perigosas. Juntando isso ao fato de terem humanos na rua nesta noite, e por não ser um ano nem outro, o caos em tese reinaria, e as pessoas se envolveriam em piadas e brincadeiras. Essa data marcava o início de uma nova fase na vida - quando o velho Deus morre, mergulhando o mundo na escuridão, para renascer no solstício de inverno (21 de dezembro - o Yule, que foi aderido depois pelos cristãos como sendo o aniversário de Cristo). Assim, o Samhain também é tempo de lembrar e honorar os ancestrais, mandando mensagens de amor e harmonia.
Essa data é comemorada até hoje por religiões neopagãs, como é o caso da Wicca.
Mas o que isso tem a ver com os EUA, cheio de protestantes, comemorando?
Com a vinda para a América de descendentes dos celtas, foram trazidas também suas práticas folclóricas, e estas acabaram sendo incorporados à cultura dos cristãos, como muitos rituais de religiões pagãs.
A tradição de deixar comida ou bebida, para as almas que vagam pelos dois mundos nessa noite é muito presente no dia das Bruxas ocidental, com crianças fantasiadas batendo de porta em porta pedindo doces, representando os sidhs. Já as famosas lanternas eram esculpidas em nabos e carregadas pelos celtas de festa em festa para fazer com que os espíritos perdidos não interferissem - hoje presentes nas festas como abóboras entalhadas e muitas vezes iluminadas.
Halloween é coisa "do demônio"?
NÃO! Mesmo porque quem tem esses conceitos de céu e inferno são as religiões cristãs - os celtas não creem na existência de um demônio.
No próximo post, falarei mais sobre outfits lolita para comemorar o Halloween!
Para quem quiser ler mais, sugiro esses links e livros que consultei para a pesquisa:
CANTRELL, Gary. Wicca - Crenças e Práticas. Tradução de Ana Glaucia Ceciliato. Ed. Madras. São Paulo : 2002. p. 94-95.
