Com uma certa frequência que chega até a ser um tanto quanto irritante vejo algumas pessoas (comumente mulheres) demonizando o feminismo e o chamando de feminazi (copiando o ditado da internet, "como se lutar por direitos iguais equivalesse a invadir a Polônia"). Também já vi isso num desentendimento que houve no perfil pessoal de uma lolita, onde outra meio que demonizava o movimento.
Eu também já demonizei e muito o feminismo, e a causa principal era por estar sendo deixada levar pela opinião de meu ex namorado. Em pequeno resumo, ele era além de machista, infiel e levava dois relacionamentos ao mesmo tempo, no começo enganando eu e a menina, e depois que eu descobri, levava na ameaça mesmo e com chantagem psicológica.
Nós todas crescemos e estamos num mundo realmente machista. Mas eu só fui conseguir perceber isso depois que entrei em lolita. E as coisas são desconstruídas aos poucos, não é mesmo?
Quando comecei em lolita, além das ofensas normais e preconceituosas usadas por minha mãe que nem prefiro repetir, uma delas, que aliás era repetida por minha tia, era a de que eu nunca iria encontrar um homem por me vestir tão esquisita, ou quando estava namorando, que o namorado iria me largar por ser tão esquisita "com essas roupas infantis". Bom, se foi ou não por elas, o caso é que realmente terminei com eles, e alguns terminaram comigo, simplesmente porque eram babacas que queriam que eu fizesse coisas que não estava a fim, e encontraram alguém que estivesse disposta. E essa foi uma das primeiras coisas feministas que aprendi com lolita: não vou deixar de fazer o que gosto e de usar o que gosto por causa de homem.
Além do que, nós estamos numa sociedade que prega que "não se pode ser feliz sozinha" e a moda lolita é exatamente o contrário - é sobre agradar a si mesma e nada mais. Como dizia Novala Takemoto, "Lolitas não reconhecem nenhuma autoridade [...]".
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| "O que você faria se seu namorado dissesse 'não vista tal vestido'?" "Eu terminaria com tal cara". Fonte desconhecida |
Além disso, a militância das lolitas no Brasil é incrível. Não dizendo que lolita é obrigada a militar, mas grande parte das lolitas brasileiras que tenho em minhas redes sociais é feminista. E durante esses oito anos na moda, fui desconstruindo muita coisa com a ajuda dessas lolitas.
Um exemplo famigerado que espero que tenha ficado em 2006, se bem que às vezes escuto isso, é de algumas lolitas (geralmente novatas) dizendo que suas famílias não aceitam o estilo, e "que se eu estivesse vestida igual a uma funkeira vadia, com a bunda de fora, vá lá, mas não, lolita é super recatado e decente". Já tive concepções bem parecidas, mas o que ocorre (fica atenta pra o que vou dizer se você reproduz isso), é que isso é totalmente machista, uma vez que você está julgando se a mulher presta por causa da roupa, e pasme, roupas não são consentimento nem amostra de caráter. Nem a funkeira com roupas curtas nem a menina vestida de lolita com um drawer super comprido e não mostrando nada de pele estão dando permissão de qualquer assédio por conta da roupa. ROUPA NÃO É CONSENTIMENTO, foi mais uma das coisas que aprendi com lolita, além de não julgar a coleguinha pelo comprimento da roupa.
Outra coisa que aprendi com as lolitas feministas do meu Face é a sororidade. E nem venha dizer que é amar todas as minas, independente de fazerem merda. É simplesmente não odiá-las por serem mulheres. Se fizer merda, tem que levar chamada de atenção sim, mas caso contrário nada de slut shaming ou coisas similares.
"E sobre o título do post, tia Aiko???" Bem, como disse acima, sofri bastante com esse relacionamento abusivo por três anos. Me proibia de sair com as amigas lolita (tanto que meu último evento do Ribbon foi em 2013 e nunca mais participei, larguei os eventos), controlava minhas roupas, me ligava dizendo que deveria publicar no facebook que o amava, além de me controlar pelo telefone, chantagens psicológicas, continuava com a mulher dele e me chantageava pra continuar com ele e daí pra frente. Até que desabafei no Facebook e todas essas lolitas feministas me deram o apoio que eu precisava e a força pra me libertar desse carma. Tenho certeza que hoje eu poderia estar morta se não fosse a ajuda dessas feministas, que me estenderam a mão quando mais precisei e tiveram sororidade e empatia comigo. Meninas, se vocês estiverem lendo isso, saibam que serei eternamente grata a vocês pela ajuda e pela força que vocês me deram.


