sábado, 6 de janeiro de 2018

Razão e Sensibilidade - Desafio de Leitura 2018


Depois de quatro anos ininterruptos lendo porcarias da faculdade, comecei a me interessar por leituras novas. Surpreendem-se alguns que ainda não havia lido nada da renomada Jane Austen, então em uma passagem pela minha livraria favorita, adquirimos Razão e Sensibilidade.

Aproveitando a deixa, no meio de minha leitura, vi a publicação de um amigo no Facebook, mostrando o desafio de leitura 2018 da Livraria Cultura, que contempla um tema para cada mês do ano. O tema desse mês, portanto, era ler um livro que virou filme, e como Razão e Sensibilidade virou filme (e deu origem à outras coisas também), já uni o útil ao agradável e resolvi escrever sobre.


Muitas pessoas dizem que gostariam de viver em outras épocas, romantizam outros períodos sem no entanto ver a faceta horrível de cada um deles. Eu, por exemplo, não gostaria de nenhuma forma viver na época retratada por Austen em Razão. Um mundo onde as mulheres demasiadamente são tratas como objeto, mais do que na época que vivemos atualmente. Nada de novo sob o sol, mas ainda assim prefiro viver no tempo presente, mesmo com suas facetas.

Sinceramente, se minha opinião de leiga vale alguma coisa, e aproveitando para dar meus dez centavos sobre o livro, nas cem primeiras páginas (dessa edição pocket, bem dito) somos apresentados à vida cotidiana das mulheres da família Dashwood, desde sua mudança para o chalé até seu estabelecimento nele e a vida cotidiana com os "vizinhos" Middleton. Por ter lido em demasia textos prolixos da faculdade, a simples menção de cem páginas em que nada se desenvolve me deixa entediada. Somente nos dois terços dos livro a coisa se desenvolve e a leitura parece de fato fluir.

[Spoiler a frente, se você não gosta de spoiler, eu avisei!]


Ainda quero assistir!


Eu fiquei demasiadamente desolada com o desenrolar dos acontecimentos. Depois do Willoughby fazer a sacanagem de trair Marianne depois de seduzi-la, e ainda ter a audácia de ir falar com Elinor a sua versão dos fatos, foi de cair o queixo que ela tenha tido consideração com ele. Não sejam idiotas, pessoas, o cara é um mal caráter do inferno e ainda vocês escutam, depois de todas as mentiras que ele contou, e ainda acreditam no que ele diz? Mesma coisa com a Elinor, onde depois de Edward esconder dela por muito tempo o noivado com Lucy, enquanto flertava com Elinor, e no fim ficarem juntos??? Nexo, cadê? Também senti falta de nexo quando no final Marianne fica com o Coronel (like, what, ela nem gostava dele o enredo todo!), e o que me deixou mais perplexa no livro foi essa frase, no final "Os dois percebiam os sofrimentos dele [do Coronel] e suas próprias obrigações com ele, e pelo consenso Marianne devia ser o seu prêmio por tudo o que fizera". Só eu que fiquei em choque com isso? Quer dizer que se algum macho me ajudar quando eu estiver doente, eu sou necessariamente seu prêmio? Come on guys.

Lógico que é um livro de época, que eu devo levar em conta isso, e whatever, mas é de entristecer o coração que mocinhas na atualidade leiam isso e achem que devam perdoar macho escroto que brinca com duas mulheres ao mesmo tempo. Não devem! Isso nos mostra a atualidade do livro, e se eu tivesse que tirar uma moral sobre isso seria que muitos homens são escrotos do mesmo jeito atemporalmente.  E não pense que vou poupar as críticas à mulherada do livro, porque tem muitas ali que não valem o chão que pisam, como a sra. Ferrars, a antipática da Lady Middleton e a Fanny, que infelizmente consegui fazer correspondências de cada uma à mulheres reais que conheço.

Acredito que do livro todo eu mais me identifiquei com a Marianne, mas em alguns momentos eu queria chacoalhar ela e berrar pra não ficar se matando por causa de um macho. Sofri com o livro, me indignei junto, e num certo momento a reviravolta que a situação dá e o jeito que Austen amarrou a trama no Coronel, envolvendo seu passado e Willoughby, foi muito bem pensado.

No mais, acho que minha indignação com o assunto me fez não gostar muito do livro, então para não sair com preconceito com a autora, vou ver se leio outros livros famosos dela para ver se sai essa coisa ruim. Pode ser que minhas experiências anteriores horríveis com relacionamentos abusivos me fizessem ter em Razão e Sensibilidade meio que um gatilho, o que é bem possível e palpável. Mas me digam vocês que também leram, o que acharam do livro?

2 comentários:

  1. Alguém que achou o mesmo que eu! Depois de ter lido Orgulho e Preconceito, este para mim foi uma desilusão. Primeiro pelo ritmo super lento ao inicio e depois a reviravolta estranha que a história tomou. Há pessoas que adoram o livro e de facto é um must read em literatura mas não consigo gostar pelas mesmas razões que você mencionou.

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    1. Então já somos três pessoas que não gostam haha! Vou tentar ler Orgulho e Preconceito, me recomendaram bastante :)

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